sábado, fevereiro 10, 2007

Nós, evangélicos, e os nossos (pré) conceitos teológicos

Não me recordo onde exatamente, mas li em algum lugar alguém dizer que teologia sempre fala muito mais de homens do que de Deus. Eu concordo, e digo por quê. Entendemos que a bíblia é a palavra de Deus, ou seja, o próprio Deus pregando à humanidade. Para tanto, pode-se concluir que ela fala de Deus e que Deus fala por meio dela. Ela é a Revelação de Deus aos homens. Já a teologia é tentativa racional de interpretar, sistematizar e organizar o conteúdo bíblico de forma a expô-lo por meio do ensino e pregação. Porém o homem é falho e limitado em seu discernimento, e isso reflete no resultado de qualquer trabalho seu, inclusive nos de cunho teológico.

Por isso, discutir teologia partindo-se do pressuposto de ser privilegiado com a posse da verdade absoluta é um grande risco. É claro, alguns pontos são indiscutíveis e inamovíveis; não podemos abrir mão deles, e no geral, em relação a eles, todos os evangélicos concordam entre si. Podem ser chamados de pontos fundamentais, eles estão explícitos nas escrituras. Por exemplo, todos cristãos de linha protestante-evangélica crêem na salvação por meio da graça em Cristo Jesus, está claro na bíblia que somente por meio de Cristo alcançamos a salvação e que ele é o único mediador entre Deus e os homens. Existem muitos outros pontos que poderiam ser mencionados aqui e que são extremamente claros (mas esta não é a intensão primordial desta reflexão).

Porém nem todos os pontos da bíblia estão claramente explicados. Podemos mencionar duas das principais questões que causam dissensão entre pentecostais e tradicionais históricos: contemporaneidade dos dons e batismo com o Espírito Santo. Esta ultima, até mesmo entre os tradicionais históricos há divergência: uns acreditam que o batismo com o Espírito Santo é uma benção entregue no momento da conversão, já outros crêem que este batismo é uma experiência subseqüente à conversão e deve ser buscada pelo crente, sendo algo experienciável, não apenas inteligível; diferindo-se dos pentecostais clássicos apenas no sentido de que não restringem a evidência do batismo com o Espírito Santo à manifestação de línguas ou qualquer outro dom espiritual.

Outro ponto de grande discussão é a questão da Soberania de Deus x Liberdade e Responsabilidade Humana. Daí existe duas correntes principais: de um lado, os calvinistas; do outro, os arminianos. Os primeiros, dando ênfase na Soberania e Todo-Poder de Deus; os segundos, supervalorizando a liberdade humana.

Embora eu tenha meus próprios posicionamentos em relação a cada um destes pontos e outros mais que também são polêmicos, penso que não seria nada mal se tivéssemos mais respeito por pessoas que possuem posicionamentos contrários. Afinal, somos um corpo, ou melhor, o corpo de Cristo, e, como corpo de Cristo, deveríamos nos unir sempre para lutar pelo mesmo ideal: que neste caso será sempre a propagação do reino de Deus na terra.

Cresci e me criei em uma igreja pentecostal de ensinos pentecostais clássicos. Durante quase todos os anos de sua existência, esta igreja manteve esta linha teológica, sendo que nos últimos anos (antes de minha saída) começou a absorver um pouco do que comumente é chamado de neopentecostalismo. Já havia um bom tempo que eu discordava de alguns posicionamentos tomados pela denominação, que acabavam por influenciar a vida da igreja local. Por isso, e por uma questão de visão ministerial divergente, decidi desvencilhar-me dela. Após analisar algumas igrejas, decidi-me por uma igreja tradicional de teologia reformada. Embora eu mesmo não me veja como reformado ou tradicional (nem mesmo pentecostal), tenho me identificado com o sistema de governo e funcionamento da comunidade da qual faço parte agora.

Onde quero chegar com tudo isso? Não muito longe, acredite. Apenas quero expressar meu sentimento de tristeza por alguns fatos que ocorrem nos arraiais evangélicos. Por exemplo, muitos dos que me conhecem e agora sabem que estou em uma igreja tradicional histórica, ainda que evitem transparecer, acabam revelando certo preconceito e sentimento de estranheza pela minha decisão.

Tenho ouvido nestes últimos dias coisas do tipo: “você acredita na predestinação? Você não acha que as línguas são a evidência do batismo com o Espírito Santo?” Eles não estão a perguntar no interesse de analisar um posicionamento diferente do seus, afim de aprenderem com as diferenças ou até mesmo solidificar seus próprios posicionamentos, a maioria indaga com mero interesse de provar sua verdade, que já se tornou absoluta, ou apenas pelo amor ao litígio. Para matar a curiosidade de alguns, posso até dizer que acredito na Soberania Divina e também na Liberdade e Responsabilidade Humana; outra coisa, quanto ao batismo com o Espírito Santo, tenho acreditado que os crentes convertidos ao Senhor Jesus recebem, sem exceção, o Dom do Espírito.

Em minha opinião, os ensinos bíblicos nas igrejas deveriam ser o quanto mais interconfessionais possível. Sim, interconfessionais. Sei que isto não agrada a alguns, mas, desta maneira, as pessoas poderiam orar a Deus e escolher (pessoalmente) a linha teológica que acharem que mais perto se aproxima daquilo que o texto sagrado revela. O grande problema das igrejas é que, ao ministrar os estudos, cada professor imprime na mente de seus alunos sua visão teológica. Claro, isto até certo ponto é comum, mas é justo para com os estudantes mostrar que existem outros posicionamentos, e que, mesmo sendo divergentes dos ensinados em sua denominação, não são nenhuma heresia maldita.

Outro dia alguém me disse que a igreja da qual faço parte hoje não acredita no Espírito Santo. Imagine só, uma igreja protestante evangélica, que possui como símbolo a sarça ardente com uma pomba no meio dela: o que será que isto significa? Está claro que nela é ensinado, pregado e adorado o Espírito Santo como terceira pessoa da Trindade. Mas isto não foi a maior besteira que já ouvi; quando ainda freqüentava a denominação pentecostal que mencionei, alguém de uma igreja tradicional veio me perguntar se era verdade que os membros que não orassem em línguas eram excluídos da igreja. Pura balela!

Isso tudo parece brincadeira, mas não é! Pelo contrário, é sério. Estas histórias são resultados do ensino de lideres preconceituosos, pessoas que preferem viver como cavalos tapados em charretes doutrinárias narcisistas a olhar para a fé de seu irmão com respeito e amor. Logicamente, sempre haverá divergências em relação a diversos pontos, porém devemos nos apoiar naquela velha máxima: “Unidade nas coisas essenciais, liberdade nas não essenciais, mas amor em todas as coisas”.

segunda-feira, outubro 23, 2006

A Tragédia nossa de cada dia...

Um interessante texto antigo meu em resposta a um e-mail que comentava uma tragédia, a do ônibus incendiado no fim do ano de 2005, linha 350. Como sempre, encaminhado e não assinado, afinal quem no Brasil assume no papel o apoio á pena de morte e o linchamento...


Existe uma coisa muito ruim por trás dessa tragédia - o país aparentemente está conformado com esse estado de coisas e não esboça reação. A vida segue seu curso, teremos a final do Brasileirão esse final de semana, discute-se o futuro do Dirceu, teremos Faustão no domingo e por aí vai. Tudo normal. Presenciamos uma escalada na violência e essa tragédia do 350 fez com que ela subisse mais um degrau. Mesmo assim, entretanto, não se viu uma reação a esse estado de coisas. Uma reação que afetasse de forma significativa a rotina que vivemos, uma greve geral, passeatas de milhares de pessoas nas principais cidades, suspensão de eventos festivos, luto nacional, tudo que pudesse deixar bem claro que algo muito grave aconteceu. Os governantes sumiram. Em um país sério teríamos o presidente, governador e prefeito visitando as vítimas, exigindo providências, servindo de referência. Onde estão Lula, Rosinha e César Maia? Talvez nada aconteça porque estamos falamos de pessoas humildes, voltando tarde para suas casas depois de um dia de trabalho, pessoas a quem quase tudo é negado. Seria melhor que isso tivesse acontecido em um quiosque da Lagoa, em um barzinho da moda, uma livraria sofisticada ou em um shopping de luxo, de preferência com alguns globais no meio. Talvez assim houvesse alguma manifestação séria de repulsa, a busca de alguma solução. Não sei se já foi percebido, mas estamos em um momento extremamente delicado da vida desse país. O Estado não mais garante a segurança e a livre movimentação dos cidadãos. Grandes áreas estão sob o controle de bandidos, onde prevalece a lei do mais forte. Os organismos de segurança são incapazes de combater essa turma de forma eficaz e a justiça (com "j" minúsculo) é uma piada. A corrupção é generalizada e as punições deixam a desejar. Estamos em um caminho super perigoso e nada se faz. CONTINUA... No caso do Rio de Janeiro, temos uma situação que exige estado de sítio, toque de recolher, suspensão de garantias individuais e justiçamento sumário daqueles que se insurgem contra a lei, incluindo a sua eliminação física. Exagero? Bom, vamos deixar como está e ver qual será a próxima barbaridade. Pode ser que a próxima não seja com gente humilde, em um subúrbio distante, em uma linha de ônibus qualquer. Pode ser que a gente acorde tarde.

MINHA RESPOSTA

Apesar de concordar com algumas coisas ditas no texto, é bom ressaltar que a coisa está preta mas não estamos na Bolívia, a sensação de corrupção que agora se sente é fruto da realidade, os crimes de grandes e pequenos estão sendo combatidos, fato meio que inédito neste país de neófitos pseudo-democráticos, pseudo-cristãos e pseudo-honestos, não estão sendo acobertados e a justiça negligenciada... É a mais absoluta verdade que nós como cristãos, responsáveis por uma missão profética em nossas sociedades temos sim que denunciar quando onde e como injustiças são cometidas, e partir para o segundo passo, o tomar alguma atitude a respeito. Já foi falado sobre uma revista evangélica de atualidades "seculares", ela existe, é a Enfoque Gospel do grupo MK, com sede no Rio de Janeiro, podem ter certeza de que ela fará alguma reportagem (afinal fez sobre o Pastor "NO Limite") não esperem mais que essa notificação do poderoso grupo MK, infelizmente em nossas fileiras os que podem fazer algum tipo de grande mobilização não quer se indispor com o "sacro governador" Garotinho, o Ungido. Quanto ao fim anti-estatal e sanguinolento do texto, que culpa todas as esferas do governo e inocenta os cidadãos que os elegeram, exigindo logo após pena de morte, justiçamento, ou chacina (como quiserem) para punir os culpados. Muitas vezes a discordância que eventualmente temos do governo, com seus sistemas, ideologias e políticas nos cega quanto ao amor e a compaixão que nos ensinou o pobre - justiçado com julgamento público, e punido com a pena de morte por ser considerado um ameaça - Jesus Cristo, o Nazareno. Aqueles pobres como os do 350 ou miseráveis sobreviventes como os do 174 (lembram? ele sobreviveu á chacina da Candelária mas não à polícia de Garotinho, o Ungido, ela era uma jovem moradora de favela que tentava começar uma vida de casal), são lembrados por nós piedosos apenas quando ardem em chamas, são baleados por bandidos desesperados ou quando são assassinados por policiais enlouquecidos que usam as próprias mãos quando já estão rendidos, ou talvez nem isso, já que bandido tem é que morrer. Quem diz isso ou assina embaixo de uma coisa dessas esquece o como todos somos iguais diante de Deus, igualmente miseráveis e pecadores, e a nós, igualmente, é oferecido o perdão e a chance de se regenerar, ou a punição e o juízo justo diante do trono do Justo Juiz.

Em Cristo.

Perdão por não saber escrever sem colocar os dedos em feridas abertas mas escondidas, aprendi na minha Bíblia.

Depois eu descobri que a pessoa que enviou o e-mail para a lista, o Pastor e Teólogo Franklin Ferreira, era articulista da Enfoque Gospel.

Provações e seus significados

Lewis lamenta a morte de sua esposa, Joy.


A que ponto cheguei? Penso que ao mesmo ponto a que qualquer outro viúvo chegaria se parasse [de cavar] para reclinar-se sobre sua pá, respondendo à pergunta: "Obrigado. Chega de murmurar. Sinto falta dela de forma incrível. Mas dizem que todos temos que passar por coisas assim para sermos provados". Nós chegamos ao mesmo ponto; ele com sua pá e eu, que já não sou tão bom em cavar, com outros instrumentos. É claro que temos de aceitar a necessidade de "passar por isso para nos provar" como a forma certa. Deus certamente não está fazendo experiência com a minha fé ou com meu amor só para colocar a qualidade deles à prova. Ele já os conhecia muito bem antes disso. Eu é que não os conhecia. Nesse tipo de provação Deus nos faz ocupar o banco dos réus e assumir o papel de testemunhas e júri ao mesmo tempo. Ele sempre soube que o meu castelo era de areia. A única maneira de fazer com que eu me conscientizasse disso era pisoteando-o.[1]

Durante a maior parte de minha vida cristã entedia as lutas, dificuldades e toda forma de tribulação pelas quais os homens passam como sendo Deus provando o homem a fim de verificar sua fé, seu amor e sua disponibilidade em cumprir suas promessas a Ele, enfim, pensava (hoje vejo isto) que era a forma pela qual Deus satisfazia sua vontade de saber até onde podemos ir, em amor do seu Nome.

Os pregadores diziam que Deus havia pedido Isacc a Abraão com o intuito de experimentar a sua fé e observar se Abraão era mesmo capaz de amá-Lo acima de seu próprio filho. Porém, sempre que ouvia este tipo de mensagem alguns questionamentos vinham a minha mente: se Deus sabe todos as coisas, é Onisciente, e em conseqüência disto desfruta da presciência; por que ele precisa provar a nossa fé e o nosso amor por Ele? Ele já não conhecia os mais profundos sentimentos de Abraão? Não é Ele que nos conhece antes do nascimento?

Estas perguntas tornavam as mensagens um tanto quanto superficiais e, por mais que fossem animadoras, não eram tão convincentes. Com o passar do tempo, com o amadurecimento na fé (que ainda considero pequeno), com um melhor entendimento das escrituras, pude perceber que na realidade estes momentos de desconforto e sofrimento não surgem para que o Senhor "mate sua vontade" de saber se iremos ou não continuar a segui-Lo, mas sim para provar a nós mesmo quem somos e/ou o que devemos ser diante do que Ele espera de nós. C.S.Lewis diz no texto acima que Deus já conhecia tanto sua fé quanto o seu amor, porém, confessa que ele mesmo não os conhecia. E se ele passou a entender que não os conhecia é porque através de todos os fatos que lhe sobrevieram ele veio a conhecê-los.

No caso do Lewis, não sei exatamente o que Deus queria lhe mostrar com todo o ocorrido. O fato é que de uma forma ou de outra, dentro de situações específicas, levando em conta as peculiaridades, Deus prova o homem para benefício do próprio homem. A uns, como ocorreu com Abraão, elevando-os a um nível de fé e confiança inabalável, pois, imagine só a vida de Abraão depois da experiência de dispor-se a entregar seu próprio filho em sacrifício a Deus! Ele passara a enxergar Deus de outra maneira, sua fé foi ampliada e sua comunhão com o Senhor alcançou um nível de amizade, amizade entre Deus e um homem. Agora, observando o relato de C.S.Lewis, quem sabe, podemos nos arriscar e dizer que Deus queria revelar-lhe o quão fraco, necessitado e dependente Dele ele era.

Deixo este estímulo a uma reflexão sobre os nossos momentos de provações, que não são raros. "Provações" que na verdade devem ser entendidas como dificuldades e problemas que surgem para moldar nossas vidas, mas nunca como um teste divino para saber se iremos ou não ser aprovados. Afinal nosso Deus é o Deus do passado, presente e futuro, e nada lhe está oculto. Ele sabe tudo!

[1]Texto extraído do livro A Grief Observed de C.S.Lewis, escrito após a morte de Joy Gresham, sua esposa.

sexta-feira, outubro 20, 2006

O que temos feito para marcar nossa geração?

Originalmente esse texto foi produzido para o jornal "ABU-Infoco" informativo semestral da ABU-Centroeste, creio que seja inédtito.

Os Evangélicos no Brasil, entendidos aqui como os protestantes em geral, passaram a ter direitos políticos no fim do Segundo Império, logo foram eleitos "deputados federais" dois luteranos gaúchos, com a proclamação do República esses luteranos simpatizantes do monarquismo perderam seu espaço, desde então, por muito tempo a presença de protestantes na política brasileira foi mínima.

O advento do Estado Novo, coincidindo com início do período de “nativização” das igrejas marca um novo período na nossa participação política, surge a Confederação Evangélica do Brasil e começa a carreira política do pastor metodista Guaracy Silveira, eleito pelo PSB através de uma atuação basicamente política, não se aproveitando de seu cargo eclesiástico. O primeiro pentecostal a ser eleito seria Levy Tavares da igreja O Brasil para Cristo, igreja que atipicamente, teve forte atuação política durante a Ditadura Militar.

Durante o período da ditadura a igreja Católica retirou o apoio ao regime apesar de ter apoiado o golpe de 64, e assim surge um vácuo, prontamente ocupado por nossos irmãos deputados, um período de “Densas Trevas” conforme denomina Robinson Cavalcanti em Cristianismo e Política, da Ultimato.

Após o fim da Ditadura, com a eleição da Assembléia Constituinte os pentecostais realmente entram para o jogo político, começam a aparecer os primeiros escândalos de troca de favores políticos por concessões de rádio de TV, logo depois com a eleição de 89, a primeira direta para presidente depois de 1961, os Evangélicos se dividem, entre os que apoiam Lula e os que apoiam Collor. Surgem boatos de quem Lula é Satanista e de que o PT tem planos de combater as igrejas evangélicas. Do Comitê pró-Lula surge após as eleições o Movimento Evangélico Progressista, primando pela ética na política e tendo como base a Missão Integral, fortemente influenciado por seus fundadores, Robinson Cavalcanti e Paul Freston, e nossa representação no Congresso Nacional passa a ter marcadas as divisões entre políticos cristãos com práticas políticas “seculares”, clientelistas e aqueles que buscam fazer com que o Cristianismo realmente influencie suas atuações políticas, estes últimos nem sempre do MEP.

Mas atuação política não é apenas partidária, engano pensar que é... Cada cristão pode fazer a sua parte! Mas o que temos feito?

Onde está a nossa sensibilidade, de nós como “Povo de Deus”, para com os problemas sociais em meio ao nosso povo?

Nosso povo sim, porque se não nos preocupamos com o nosso povo como nos preocuparemos como os outros povos que se perdem? Não chamamos nossos irmãos para novamente cair na cova do “Evangelho Social” que acaba por levar os desapercebidos à negação do espiritual e ao materialismo (quase sempre o dialético), chamamos, talvez novamente, mas à vivência do Evangelho Integral, aquele que é para o homem todo.

De que adianta pregar aos condenados se temos à mão o perdão ou o fim para a condenação mas não fazemos nada a respeito. Não digo apenas aos condenados à prisão ou morte, mas aos condenados à desesperança, à fome, ao abandono, à expropriação, à ignorância...

Em um mundo em que nós cristãos temos o mandato de zeladores e jardineiros desde a época de Adão, e de profetas desde a Nova Aliança muitas pessoas vêm sofrendo enquanto outras vivem em riqueza que humilha a que não têm tanto, pilha e desperdiça grande parte das riquezas das terras.

Profeticamente, a meu ver, apenas isso já é motivo de nos humilharmos e confessarmos esse pecado diante de Deus, e não apenas isso, demonstrarmos frutos de arrependimento, fazendo o que deve ser feito.

Senão teremos vergonha de um dia sermos contados entre pessoas como Amós, Isaías, Jeremias, os “Joões”, batista e evangelista, Tiago, Martin Luther King, Madre Tereza de Calcutá e Irmã Dulce (se me permitem), perdão por esquecer alguém. O Evangelho não é apenas apontar para o Céu, é apontar também para um Nova Terra, onde “Correrá a Justiça como um rio que jamais seca”, onde armas de guerra serão convertidas em instrumentos de cultivo, onde a paz (no que É o Príncipe da Paz) finalmente voltará a reinar e lobos, leões e cordeiros juntos pastarão, talvez nas mesmas colinas em que os filhos de negros, índios e brancos, palestinos, libaneses e israelenses, pobres e ricos um dia brincarão em paz, como sonhou Martin Luther King Jr. (Maranata!).

O que temos feito para marcar nossa geração, baseados em uma Esperança Viva em Jesus?

quinta-feira, outubro 19, 2006

Os tempos mudam!!!



antigamente, aprendíamos que para adorar a Deus, era necessário:
ser sincero, ser humilde, realmente se entregar diante da glória d'Ele.
Mas acho que as coisas mudaram. Hoje em dia nossa sociedade
está mais preocupada em qualidade e quantidade, nos bancos das igrejas,
nos dízimos, na oferta, no compromisso com a igreja!!
Deveríamos todos procurar nos atualizar
pois pode ser que fiquemos pra trás e Deus vá gostar menos de nós,
temos que lutar e tentar ser igual ao louvor da Lagoinha,
igual aquela banda americana que toca uma música bacana.
Técnica? Expontaineidade? Sinceridade?
Bah.. isso é coisa do passado, o negócio é todos nós
sermos bobotizados e (re)criados à imagem e semelhança
do exemplo cristão (mais importante dos últimos tempos
pelos próximos 5 minutos)!
E é claro! Gastar dinheiro!!

Que Deus abençoe a todos vocês!

Caciquismo evangélico


Por Humberto Ramos


Não é novidade o fato de que durante muito tempo a vida política brasileira foi fortemente influenciada por coronéis e caudilhos. Também não é novidade que, embora este tipo de influência hoje seja menor, estas figuras manipuladoras de opinião acabaram por dar lugar ao que hoje chamamos de “caciques” políticos. O caciquismo, assim como o coronelismo e o caudilhismo, remonta ao tempo do Brasil Imperial. No entanto, esta figura sofreu, de certa forma, uma espécie de evolução. Hoje, o cacique se impõe em determinada comunidade, cidade ou região valendo-se das muitas artimanhas herdadas do coronelismo e do caudilhismo. Dos coronéis, herdou as formas de imposição de sua autoridade pelo medo aos seus subordinados, já dos caudilhos, herdou a jeito astucioso de dominar as massas pelo seu carisma e espírito de liderança autoritário (possui em seu discurso forte apelo emocional). Poderia mencionar vários nomes destes “caciques”, porém, isto não se faz necessário, visto que, apresentando estas características básicas, fica fácil discerni-los na sociedade.

Entretanto, o que realmente quero tratar aqui não é a existência e características deste tipo de gente em nossa sociedade. Mas, sim, o fato de que, infelizmente, este traço cultural tem sido recepcionado por muitas denominações evangélicas. A ignorância cultural do povo e a herança da tradição sacerdotal católica, na qual o padre é uma grande figura dotada de poder dominador sobre a sua comunidade, têm favorecido o surgimento de poderosos “caciques” político-religiosos em meio evangélico.

Outro fator que tem corroborado para a existência deste tipo de fenômeno é o ávido interesse (por parte dos evangélicos) de participar da política e galgar posições, quando nela já estão inseridos. Na realidade, o interesse pelo poder político fomentou muitos líderes a assumissem características do “caciquismo”. O que é dito aqui é comprovado pela forma de fazer política de muitas das denominações brasileiras. Suas práticas podem ser vistas claramente em época de eleições: afirmando que tal pessoa (geralmente um candidato oficial da denominação) será “luz” no congresso nacional, na camara dos deputados estaduais ou na câmara dos vereadores, algumas denominações têm encabrestado seus membros (votos). Há suspeita de, até mesmo, vendas de votos de seus membros para candidatos corruptos. Nestas igrejas, em tempos de eleição, é muito comum ouvir coisas do tipo:

“Vamos orar para que Deus eleja o Fulano!”

“Quem dentre os que aqui estão se comprometem com a candidatura de Cicrano?”

“Quem é do ‘corpo’ vota em quem é do ‘corpo!’ ”

"É preferível errar votando em irmão do que em ímpio!"

Estes são apenas alguns dos chavões existentes dentro destas denominações para encabrestar os membros/eleitores. São realizadas também várias pregações, nas quais se utiliza a vida de José, Daniel, Neemias, dentre vários outros personagens bíblicos, para fundamentar o ardente desejo da liderança da igreja de possuir influência política . E ai de quem se opor à visão da liderança da igreja; este torna-se imediatamente um rebelde.

Infelizmente, este tipo de coisa trás conseqüências drásticas à igreja, dentre várias, eis algumas:

-A falta de interesse por parte dos líderes de proporcionar o crescimento e amadurecimento integral dos membros: uma vez crescidos, maduros e com consciência cristã de seu papel na sociedade, estes se tornariam “problemáticos”, pois, certamente não se deixariam fazer parte de “currais” eleitorais.

-abandono do modelo bíblico quanto a forma de manifestar a igreja. O retorno ao modelo sacerdotal veterotestamentário de liderança: o líder se torna o canal exclusivo da mensagem divina (o porta-voz de Deus): sendo desta maneira mais fácil impor sua autoridade sobre a comunidade de crentes. Havendo, também, com isso, o impedimento do exercício do sacerdócio universal e dons dos crentes.

-adoecimento da igreja. Uma igreja na qual seus membros não exercem o sacerdócio universal (cada crente um ministro), na qual o evangelho não é pregado integralmente, onde os membros não exercitam seus dons é uma comunidade que caminha fragilmente dentro de uma sociedade tomada pelo pecado e que dificilmente se manterá saudável.

-abandono do modelo bíblico de liderança. Segundo o modelo bíblico neotestamentário, o líder não é aquele que subjuga o rebanho para se aproveitar dele, mas, sim, aquele que doa sua vida ao rebanho e o serve. Então, o modelo bíblico de liderança é o do líder-servo (1º Pe 5-2,3).

É imprescindível que levemos a sério esta questão. Talvez, nas comunidades das quais façamos parte esta não seja a realidade vigente, no entanto, se somos mesmo um só corpo, devemos nos importar e batalhar pela saúde da igreja. Podemos fazer isto orando, vivendo a igreja como ela é descrita na Bíblia, pregando e ensinando a fé que uma vez foi entregue aos santos!

Deus nos ajude!

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