O que temos feito para marcar nossa geração?
Originalmente esse texto foi produzido para o jornal "ABU-Infoco" informativo semestral da ABU-Centroeste, creio que seja inédtito.
Os Evangélicos no Brasil, entendidos aqui como os protestantes em geral, passaram a ter direitos políticos no fim do Segundo Império, logo foram eleitos "deputados federais" dois luteranos gaúchos, com a proclamação do República esses luteranos simpatizantes do monarquismo perderam seu espaço, desde então, por muito tempo a presença de protestantes na política brasileira foi mínima.
O advento do Estado Novo, coincidindo com início do período de “nativização” das igrejas marca um novo período na nossa participação política, surge a Confederação Evangélica do Brasil e começa a carreira política do pastor metodista Guaracy Silveira, eleito pelo PSB através de uma atuação basicamente política, não se aproveitando de seu cargo eclesiástico. O primeiro pentecostal a ser eleito seria Levy Tavares da igreja O Brasil para Cristo, igreja que atipicamente, teve forte atuação política durante a Ditadura Militar.
Durante o período da ditadura a igreja Católica retirou o apoio ao regime apesar de ter apoiado o golpe de 64, e assim surge um vácuo, prontamente ocupado por nossos irmãos deputados, um período de “Densas Trevas” conforme denomina Robinson Cavalcanti em Cristianismo e Política, da Ultimato.
Após o fim da Ditadura, com a eleição da Assembléia Constituinte os pentecostais realmente entram para o jogo político, começam a aparecer os primeiros escândalos de troca de favores políticos por concessões de rádio de TV, logo depois com a eleição de 89, a primeira direta para presidente depois de 1961, os Evangélicos se dividem, entre os que apoiam Lula e os que apoiam Collor. Surgem boatos de quem Lula é Satanista e de que o PT tem planos de combater as igrejas evangélicas. Do Comitê pró-Lula surge após as eleições o Movimento Evangélico Progressista, primando pela ética na política e tendo como base a Missão Integral, fortemente influenciado por seus fundadores, Robinson Cavalcanti e Paul Freston, e nossa representação no Congresso Nacional passa a ter marcadas as divisões entre políticos cristãos com práticas políticas “seculares”, clientelistas e aqueles que buscam fazer com que o Cristianismo realmente influencie suas atuações políticas, estes últimos nem sempre do MEP.
Mas atuação política não é apenas partidária, engano pensar que é... Cada cristão pode fazer a sua parte! Mas o que temos feito?
Onde está a nossa sensibilidade, de nós como “Povo de Deus”, para com os problemas sociais em meio ao nosso povo?
Nosso povo sim, porque se não nos preocupamos com o nosso povo como nos preocuparemos como os outros povos que se perdem? Não chamamos nossos irmãos para novamente cair na cova do “Evangelho Social” que acaba por levar os desapercebidos à negação do espiritual e ao materialismo (quase sempre o dialético), chamamos, talvez novamente, mas à vivência do Evangelho Integral, aquele que é para o homem todo.
De que adianta pregar aos condenados se temos à mão o perdão ou o fim para a condenação mas não fazemos nada a respeito. Não digo apenas aos condenados à prisão ou morte, mas aos condenados à desesperança, à fome, ao abandono, à expropriação, à ignorância...
Em um mundo em que nós cristãos temos o mandato de zeladores e jardineiros desde a época de Adão, e de profetas desde a Nova Aliança muitas pessoas vêm sofrendo enquanto outras vivem em riqueza que humilha a que não têm tanto, pilha e desperdiça grande parte das riquezas das terras.
Profeticamente, a meu ver, apenas isso já é motivo de nos humilharmos e confessarmos esse pecado diante de Deus, e não apenas isso, demonstrarmos frutos de arrependimento, fazendo o que deve ser feito.
Senão teremos vergonha de um dia sermos contados entre pessoas como Amós, Isaías, Jeremias, os “Joões”, batista e evangelista, Tiago, Martin Luther King, Madre Tereza de Calcutá e Irmã Dulce (se me permitem), perdão por esquecer alguém. O Evangelho não é apenas apontar para o Céu, é apontar também para um Nova Terra, onde “Correrá a Justiça como um rio que jamais seca”, onde armas de guerra serão convertidas em instrumentos de cultivo, onde a paz (no que É o Príncipe da Paz) finalmente voltará a reinar e lobos, leões e cordeiros juntos pastarão, talvez nas mesmas colinas em que os filhos de negros, índios e brancos, palestinos, libaneses e israelenses, pobres e ricos um dia brincarão em paz, como sonhou Martin Luther King Jr. (Maranata!).
O que temos feito para marcar nossa geração, baseados em uma Esperança Viva em Jesus?

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