A Tragédia nossa de cada dia...

Existe uma coisa muito ruim por trás dessa tragédia - o país aparentemente está conformado com esse estado de coisas e não esboça reação. A vida segue seu curso, teremos a final do Brasileirão esse final de semana, discute-se o futuro do Dirceu, teremos Faustão no domingo e por aí vai. Tudo normal. Presenciamos uma escalada na violência e essa tragédia do 350 fez com que ela subisse mais um degrau. Mesmo assim, entretanto, não se viu uma reação a esse estado de coisas. Uma reação que afetasse de forma significativa a rotina que vivemos, uma greve geral, passeatas de milhares de pessoas nas principais cidades, suspensão de eventos festivos, luto nacional, tudo que pudesse deixar bem claro que algo muito grave aconteceu. Os governantes sumiram. Em um país sério teríamos o presidente, governador e prefeito visitando as vítimas, exigindo providências, servindo de referência. Onde estão Lula, Rosinha e César Maia? Talvez nada aconteça porque estamos falamos de pessoas humildes, voltando tarde para suas casas depois de um dia de trabalho, pessoas a quem quase tudo é negado. Seria melhor que isso tivesse acontecido em um quiosque da Lagoa, em um barzinho da moda, uma livraria sofisticada ou em um shopping de luxo, de preferência com alguns globais no meio. Talvez assim houvesse alguma manifestação séria de repulsa, a busca de alguma solução. Não sei se já foi percebido, mas estamos em um momento extremamente delicado da vida desse país. O Estado não mais garante a segurança e a livre movimentação dos cidadãos. Grandes áreas estão sob o controle de bandidos, onde prevalece a lei do mais forte. Os organismos de segurança são incapazes de combater essa turma de forma eficaz e a justiça (com "j" minúsculo) é uma piada. A corrupção é generalizada e as punições deixam a desejar. Estamos em um caminho super perigoso e nada se faz. CONTINUA... No caso do Rio de Janeiro, temos uma situação que exige estado de sítio, toque de recolher, suspensão de garantias individuais e justiçamento sumário daqueles que se insurgem contra a lei, incluindo a sua eliminação física. Exagero? Bom, vamos deixar como está e ver qual será a próxima barbaridade. Pode ser que a próxima não seja com gente humilde, em um subúrbio distante, em uma linha de ônibus qualquer. Pode ser que a gente acorde tarde.
MINHA RESPOSTA
Apesar de concordar com algumas coisas ditas no texto, é bom ressaltar que a coisa está preta mas não estamos na Bolívia, a sensação de corrupção que agora se sente é fruto da realidade, os crimes de grandes e pequenos estão sendo combatidos, fato meio que inédito neste país de neófitos pseudo-democráticos, pseudo-cristãos e pseudo-honestos, não estão sendo acobertados e a justiça negligenciada... É a mais absoluta verdade que nós como cristãos, responsáveis por uma missão profética em nossas sociedades temos sim que denunciar quando onde e como injustiças são cometidas, e partir para o segundo passo, o tomar alguma atitude a respeito. Já foi falado sobre uma revista evangélica de atualidades "seculares", ela existe, é a Enfoque Gospel do grupo MK, com sede no Rio de Janeiro, podem ter certeza de que ela fará alguma reportagem (afinal fez sobre o Pastor "NO Limite") não esperem mais que essa notificação do poderoso grupo MK, infelizmente em nossas fileiras os que podem fazer algum tipo de grande mobilização não quer se indispor com o "sacro governador" Garotinho, o Ungido. Quanto ao fim anti-estatal e sanguinolento do texto, que culpa todas as esferas do governo e inocenta os cidadãos que os elegeram, exigindo logo após pena de morte, justiçamento, ou chacina (como quiserem) para punir os culpados. Muitas vezes a discordância que eventualmente temos do governo, com seus sistemas, ideologias e políticas nos cega quanto ao amor e a compaixão que nos ensinou o pobre - justiçado com julgamento público, e punido com a pena de morte por ser considerado um ameaça - Jesus Cristo, o Nazareno. Aqueles pobres como os do 350 ou miseráveis sobreviventes como os do 174 (lembram? ele sobreviveu á chacina da Candelária mas não à polícia de Garotinho, o Ungido, ela era uma jovem moradora de favela que tentava começar uma vida de casal), são lembrados por nós piedosos apenas quando ardem em chamas, são baleados por bandidos desesperados ou quando são assassinados por policiais enlouquecidos que usam as próprias mãos quando já estão rendidos, ou talvez nem isso, já que bandido tem é que morrer. Quem diz isso ou assina embaixo de uma coisa dessas esquece o como todos somos iguais diante de Deus, igualmente miseráveis e pecadores, e a nós, igualmente, é oferecido o perdão e a chance de se regenerar, ou a punição e o juízo justo diante do trono do Justo Juiz.
Em Cristo.
Perdão por não saber escrever sem colocar os dedos em feridas abertas mas escondidas, aprendi na minha Bíblia.
Depois eu descobri que a pessoa que enviou o e-mail para a lista, o Pastor e Teólogo Franklin Ferreira, era articulista da Enfoque Gospel.


